Psicodelismos em prosa

À Quintana:

E todos aquilos
que um dia atravancaram o meu corpinho
(...)

Eles passaram.
Eu passarinho! v.V

_Aline, 21/03/2015.



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segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

saída à francesa



ele veio assim, com um ar quieto
e foi colhendo quase tudo de mim

levou flores
confidências
poesia
tempo

pensei que me tiraria
o chão
o ar
a voz

mas não
preferiu retirar-se [a si]

(Aline Barra – 13/02/2012)

domingo, 18 de dezembro de 2011

Um conto [quase] fabuloso:



ele vive em paz
na solidão do teu pântano moderno
não quer ser incomodado
não precisa de companhia

ela, em estado latente
há anos submersa
ameaça emergir no lago de águas turvas

ele a admira e gosta de saber que
ela existe nas profundezas dos teus arredores
mas também sabe que caso desabroche
tua beleza despertará outros seres adormecidos 
naquela selva de pedras

e ele tenta não fitá-la
pois bem sabe que o teu olhar pode fazer brilhar
o sol que transformará o botão na jóia de mil cores

ele é o Ogro
um herói solitário
que teme desabrolhar a Flor de Lótus


(Aline Barra - 18/12/2011)

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

O fim do (a) conto (a):


era uma vez...

                            o príncipe
                                            [encantado]

                                                            e o castelo
                                                                             [de areia].



(Aline Barra - 15/11/2011)

domingo, 9 de janeiro de 2011

A flor do oriente

Ela poderia ter sido cortesã
seria como a Geni do Chico:
dos cegos, dos retirantes
de quem não tem mais nada

Mas escolheu ser gueixa
(toda mulher esconde uma gueixa)
"feita apenas para amar
para sofrer pelo seu amor
e pra ser só perdão"

Decidiu ser gueixa
pelo mistério
As gueixas são, ao mesmo tempo
encanto e mistério
fascinação e lamento

Um dia foram encantadas
(de amor)
E quiseram o artifício do encanto
Tornaram-se, por isso
numa só obra
arte e artista

Encantaram!

Ela poderia ter sido cortesã
Mas escolheu ser gueixa
Escolheu ser aquela que encerra em si
o mistério
de todas as outras

E revela
o desejo
de todos os outros.

(Aline Barra - 09/01/2011)






Escrito a partir do filme Mémórias de Uma Gueixa, de Rob MArshall, EUA 2006.

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

A face (nua) do Palhaço

O rosto,
agora sem pintura
escondia-se por debaixo do chapéu

Um pouco mais distante
menos colorido, talvez
Mas ainda vestido do mesmo sorriso
e despido pelo mesmo olhar

O Palhaço andava sumido
provavelmente, levando alegria
a outros picadeiros

Ou, quem sabe
recluso
imerso em sua tristeza
compondo o próximo auto

Era possível que as tintas ocultassem
aquele rosto cor de trigo
e até disfarçassem o sorriso acanhado
Era possível não ver o coração
contido
depois do suspensório

Só não era possível
- nem mesmo à chuva torrente
daquela noite -
desfocar o Palhaço
retratado
nos olhos sem pintura
daquele rosto
pálido.

(Aline Barra - 25/11/2010)




sábado, 30 de outubro de 2010

Amor Platônico

Eu o vi
Casualmente
Ele nem parecia tão irresistível assim
Mas tinha qualquer coisa que me encantava

Talvez os olhos
(verdemente hipnotizantes)
Ou a pele
(delicadamente branca)
Como saber?
Não importava...

Ele se tornaria personagem da minha fantasia
E seria perfeito
(como os poemas de Vinícius ou as crônicas do Pena)

Quimérico e intocável
Foi com ele que descobri:
A alquimia das palavras
pode ser quebrada pela in-sensibilidade da química

Enfim,
É como disse o poeta de Itabira:
"Se dissipou, não era poesia"!

(Aline Barra - 08/08/2010)

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

O reverso do Palhaço

De fala romântica
E coração cigano
O Palhaço também era
Caixeiro viajante
(vendedor de sonhos)
Exímio negociante
Hábil na arte do encanto

Na bagagem
Uma prateleira

Guardava olhar doce (e ávido)
Atitude generosa
Sentimentos confusos
E uma peculiar coleção de amores

A sacola amarela levava
Os apetrechos de pintura

Pintava rostos e coisas
Incluindo quadros e emoções

Pintava a vida
Evitava a dor
Pintava música
Cantava cor

Mas o artigo mais cobiçado
Do Palhaço vendedor
Não estava na prateleira
Nem na sacola amarela
Tampouco eram os sonhos

Ele tinha qualquer coisa que não se vê
Qualquer coisa que só se pode ter
De olhos fechados...

(Aline Barra - 11/10/2010)



sexta-feira, 10 de setembro de 2010

O Palhaço e a Dama Vagabunda

Em meio à boemia
Era a poesia o que os unia
Ele
multi artista boêmio apaixonado
Ela
perdida
Sem arte nem paixão
tudo que sabia era transformar dor em poesia

Ele
um misto de Dom Quixote e Arlequim
hora vestido de armaduras
hora envolto em retalhos multi coloridos
Ela
Dama náufraga
Viu-se Colombina
serva
dos teus encantos

E como por encanto
no instante em que os pássaros cantaram
e os relógios pararam
a poesia (deles) se fez presente
E ela conseguiu ganhar-lhe o coração

Mas,
os relógios tinham que seguir
E até mesmo os pássaros
precisavam de descanso
para renovar teu [en]canto...

(Aline Barra - 10/09/2010)