Psicodelismos em prosa

À Quintana:

E todos aquilos
que um dia atravancaram o meu corpinho
(...)

Eles passaram.
Eu passarinho! v.V

_Aline, 21/03/2015.



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quinta-feira, 12 de março de 2015

das naturezas ígneas :


acordeu. era noite
mas ele a ignorou
penetrou. cegamente. pelas frechas



ecoando
 acordou
Eros

era o sol

adentrando a \minha/ 
caverna e (se)
 fazendo

Amor
!





_aline, 15/03/2015.

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

Sobre amor. e carnaval


você percebe que encontrou o amor
quando no carnaval _aquela festa dionisíaca
em que muitos deuses estão presentes
sua atenção se volta para o bloco de palhaços e o culto ao deus menino
                                                                                                            [Eros

e percebe que encontrou o amor
quando o carnaval passa por você
percorrendo suas veias em cada nova volta da fanfarra
_despertando com balão mágico vidas há muito adormecidas

e você finalmente descobre o que é carnavalizar
quando se pega dançando consigo
_em meio a tantos deuses

porque sabe que apenas um tem a chave que abre a tua caixa
de Voluptas

_e que ele já está no teu corpo
                                           [que dança.


_Aline, 25/02/2015.







sábado, 29 de novembro de 2014

escafandristas


a gente vive reivindicando amor
queremos ser amados queremos amar queremos amor
queremos e até amamos

porque amar é fácil
sofrer por amores perdidos ou não correspondidos
é infinitamente fácil - temos talento para o sofrimento e a vitimização

insuportável é ser amado

de todas as violências
ser amado é a que mais assombra

saber-se amado é paralisante

disseram os gregos que eros é união e potência
discordo
eros é - antes
nó na garganta dor na barriga e pernas bambas

eros é desconstrução desabamento inundação

suportar o amor não é para o corpo - frágil
é para a alma
bailarina - nua e míope

_Aline, 29/11/2014.




** Dialogando com o poema "corpo é casca deferida", de Líria Porto.

terça-feira, 3 de junho de 2014

Há mar


serei-azul

peixe
rio e mar

continente deles
balanço e alimento
(pra minha fome)

ser ei a

mulher
e nada mais

___________Sereia

_Aline, 03/06/2014.






Diálogo com a canção 'Sereia da Noite', de Flávio Tris:  https://www.youtube.com/watch?v=rbCeJUkA6ZM

sábado, 17 de março de 2012

Sobre mitos, perdas e apegos...


Homem Vitruviano - Leonardo Da Vinci, 1940



Tal qual Narciso que após perder sua gêmea
passa a buscá-la na contemplação da própria imagem no lago

Também nós, míopes de nós mesmos
vemos no outro o nosso gêmeo perdido

E apaixonamo-nos por ele
E apegamo-nos a ele
Cegos, desatinados
Ávidos por uma fusão de corpos e almas
Na tentativa de unir o separado

E o perdemos
Perdemo-nos, repetidamente

Pois não há separação
Somos vitruvianos, simétricos, inteiros

Se queres Eros
Não te enganes na contemplação de Narciso

Ao contrário,
feches os olhos
e aprendas a ver (n)o escuro 
de si.

(Aline Barra - 17/03/2012)

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

da linguagem oculta do destino


                               


no princípio era o verbo
em genuíno compasso
rima e concordância

depois
inter-rompido o verbo
deu-se o hiato
mudo e polissêmico

moros
o filho inevitável de nix
segue tecendo
ornada de mistérios
a trama da minha vida


(Aline Barra – 22/12/2011)

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Sobre perdas e porquês...




Observo
impotente
o corpo frágil
desfazendo-se
de mim

tento argumentar
:
gotículas de afeto hão de cair sobre ti
quero que fiques um pouco mais
é cedo. ainda. creio [!]

não adianta
meus argumentos se mostram
tão frágeis quanto o próprio corpo
[ele parece já não crer]

e tal qual
a rosa da tarde
definha
não por escassez de água
mas por excesso
de falta[s]

Eros está morto. E sem ele Psique não tem por quê.



(Aline Barra – 15/09/2011)

segunda-feira, 28 de março de 2011

"é que Narciso acha feio o que não é espelho"

A Metamorfose de Narciso - Salvador Dali


Ela era cheia de nuances
Mas isso, provavelmente, ele jamais saberá
Porque olhou-a, mas não a viu
Tocou-a, mas não a sentiu

Dela, ele só conseguiu ver uma face
Face esta que, aliás, pareceu-lhe desagradável
Ela era como um espelho de avessos
Refletia o que ele guardava a sete chaves

Como o sultão, que por medo de ser traído
mandava decapitar suas amantes ao amanhecer
Ele escolhera decapitar seus relacionamentos
tão logo estes ameaçassem sua segurança

E ela, ao contrário de Scherazade
não quis iludi-lo

Preferiu ser decapitada
para que ele seguisse seguro
e alheio à sua coleção de histórias sem rosto.


(Aline Barra - 28/03/2011)